Existem três formas de compartilhar um deck do Anki com seus alunos: enviar o arquivo .apkg diretamente (WhatsApp, Drive, e-mail), publicar o deck como "deck compartilhado" no AnkiWeb, ou entregar o deck dentro de uma plataforma de curso que leia o formato do Anki. O envio direto funciona bem para uma entrega única e gratuita; os problemas começam quando você precisa atualizar o deck, quer cobrar pelo conteúdo ou quer saber se a turma está de fato revisando. Este guia explica como cada caminho funciona, como atualizar um deck já distribuído sem duplicar cards e o que nenhum compartilhamento manual consegue te dar.
Se o seu objetivo é sair do fluxo manual de vez, veja também o guia de migração de decks .apkg, que cobre a exportação com mídia e o passo a passo completo.
As três formas de compartilhar um deck
1. Enviar o arquivo .apkg direto para os alunos
Você exporta o deck (Arquivo, depois Exportar, formato .apkg, com a opção "Incluir mídia" marcada) e manda o arquivo pelo canal que usa com a turma. Cada aluno precisa ter o Anki instalado, abrir o arquivo e importar.
Funciona quando: a turma é pequena, os alunos já usam Anki e o deck não vai mudar.
Onde dói: cada aluno vira o administrador da própria cópia. Quem nunca usou Anki precisa instalar o programa no computador, o app no celular e criar conta no AnkiWeb para sincronizar entre os dois, e cada uma dessas etapas gera dúvida e desistência. E o arquivo é repassável: num curso pago, nada impede o .apkg de circular fora da turma.
2. Publicar como deck compartilhado no AnkiWeb
O AnkiWeb tem um diretório público de decks compartilhados. Você publica o deck e qualquer pessoa baixa pelo site ou pelo próprio Anki.
Funciona quando: você quer alcance e o deck é aberto de propósito (um deck de vocabulário gratuito como cartão de visita do seu trabalho, por exemplo).
Onde dói: deck compartilhado no AnkiWeb é público por definição. Não existe modo privado por turma, então não serve para conteúdo pago nem exclusivo. E a atualização depende de você republicar e de cada aluno baixar de novo, com os mesmos riscos de duplicação do envio direto.
3. Entregar o deck dentro do curso
Numa plataforma que importa .apkg nativamente, como o ClassDeck, o deck vive junto das aulas: você importa uma vez, vincula à aula certa e cada aluno matriculado revisa pelo navegador ou pelo celular, com repetição espaçada (SM-2) e sem instalar nada. O acesso acompanha a matrícula, então o conteúdo não circula fora da turma.
Funciona quando: o deck faz parte de um curso, você quer visibilidade da rotina da turma e não quer virar suporte técnico de Anki.
Como atualizar um deck já distribuído sem duplicar cards
Se você ficar no fluxo manual, dá para reduzir bastante a dor seguindo estas regras. O Anki identifica cada nota por um identificador interno (GUID) criado no momento em que a nota nasce; a reimportação casa as notas por esse identificador. É daí que vêm as regras:
- Edite as notas existentes, nunca apague e recrie. Nota recriada ganha um GUID novo, e na reimportação o aluno recebe o card em dobro. Duplicação e desalinhamento em decks compartilhados são queixas recorrentes no fórum oficial do Anki.
- Mantenha os nomes do deck e dos sub-decks estáveis. Renomear ou reorganizar a árvore entre uma versão e outra pode deixar o aluno com estruturas duplicadas.
- Exporte sempre sem informações de agendamento. O agendamento é o histórico pessoal de revisões; incluído numa atualização, pode interferir na rotina que o aluno já construiu.
- Versione o nome do arquivo (vocabulario-a1-v3.apkg) e avise a turma qual versão vale, senão metade dos alunos fica na versão antiga.
- Mantenha uma coleção "master" só sua. Todas as edições acontecem nela; o que a turma recebe é sempre uma exportação dessa fonte única.
Mesmo seguindo tudo isso, cada atualização continua dependendo de cada aluno baixar e importar direito, e você não tem como conferir quem fez.
O que o compartilhamento manual nunca vai te dar
- Visibilidade da rotina. O Anki não informa ao professor quem revisou, quantos cards estão em dia ou quem abandonou. A revisão diária é justamente o estudo entre uma aula e outra; sem enxergá-la, você só descobre o abandono quando o aluno já desanimou.
- Atualização sem fricção. No fluxo manual, toda correção vira uma rodada de reenvio, reimportação e suporte. Com o deck no curso, você corrige o card uma vez e todos os alunos passam a ver a versão nova, sem que ninguém perca o progresso: o estado de revisão de cada aluno (fator de facilidade, intervalo, data da próxima revisão) fica guardado no servidor, por card.
- Controle de acesso. O
.apkgenviado é seu conteúdo solto no mundo. O deck dentro do curso acompanha a matrícula do aluno. - A trilha do curso. No ClassDeck, um deck vinculado a uma aula é liberado quando o aluno conclui aquela aula, então a turma não afoga no deck inteiro no primeiro dia; a fila diária libera 20 cards novos por dia por padrão (configurável por deck), com os vencidos sempre na frente.
- A sua marca. No fluxo manual o aluno estuda dentro do aplicativo do Anki; na plataforma, dentro do seu curso, com a sua identidade.
Qual caminho escolher
- Deck gratuito e aberto, para divulgar seu trabalho: publique no AnkiWeb.
- Turma pequena de alunos que já dominam o Anki, deck estável: envio direto do
.apkg, seguindo o checklist de atualização acima. - Deck que faz parte de um curso, pago ou com turma ativa: entregue dentro da plataforma. A migração leva minutos e está descrita no guia de migração de decks .apkg.