Sim, dá para migrar seus decks do Anki para uma plataforma online sem perder o trabalho de anos: o caminho é exportar cada deck como arquivo .apkg com a mídia incluída e importá-lo numa plataforma que leia esse formato nativamente. No ClassDeck, você sobe o .apkg, confere uma prévia com cards, áudio e imagens preservados, vincula o deck à aula certa do seu curso e publica. Seus alunos revisam pelo navegador ou pelo celular, com repetição espaçada de verdade (algoritmo SM-2), sem instalar o Anki nem criar conta no AnkiWeb.
Este guia é para o professor de idiomas que já construiu decks no Anki e quer entregá-los aos alunos dentro do próprio curso, com a própria marca e com visibilidade de quem está revisando. Cobrimos a exportação correta, o que se preserva na migração, os problemas do compartilhamento manual de .apkg e o passo a passo completo.
O que é um arquivo .apkg
O .apkg é o pacote de deck exportado pelo Anki. Dentro dele vão as notas (frente, verso e campos extras), os modelos de card (incluindo cards de lacuna, os "cloze"), as etiquetas e, quando você marca a opção na exportação, todos os arquivos de mídia referenciados nos cards: áudios de pronúncia, imagens, ilustrações. É um formato aberto (um banco SQLite mais os arquivos de mídia), o que permite que outras ferramentas leiam o conteúdo completo do deck. A referência oficial do formato e da exportação está no manual do Anki.
Como exportar seus decks do Anki do jeito certo
- No Anki, abra Arquivo, depois Exportar (File, Export).
- Em formato, escolha Pacote de Deck do Anki (*.apkg).
- Selecione o deck que quer migrar (exportar um deck por vez facilita a curadoria depois).
- Marque Incluir mídia. Sem isso, os áudios de pronúncia e as imagens ficam para trás e os cards chegam quebrados no destino.
- Desmarque Incluir informações de agendamento. O agendamento do seu Anki é o seu histórico pessoal de revisões; seus alunos vão começar a rotina deles do zero, cada um no próprio ritmo.
O arquivo gerado costuma ter de alguns megabytes a algumas centenas, dependendo da quantidade de áudio. Guarde uma cópia: ele também funciona como backup completo do deck.
Por que compartilhar o .apkg direto com os alunos dá dor de cabeça
Muitos professores tentam o caminho manual: enviar o arquivo .apkg no WhatsApp ou no Drive e pedir para cada aluno importar no próprio Anki. Os problemas aparecem rápido:
- Fricção de instalação. Cada aluno precisa instalar o Anki no computador (e o app no celular), criar conta no AnkiWeb para sincronizar e aprender a importar o arquivo. Para aluno iniciante, cada etapa dessas é um ponto de desistência.
- Atualizar o deck bagunça o progresso. Quando você corrige cards e reenvia o arquivo, a reimportação pode duplicar cards ou desalinhar o progresso dos alunos, um problema recorrente relatado no fórum oficial do Anki (conflitos de identificador dos cards e sub-decks duplicados).
- Zero visibilidade. O Anki não informa ao professor quem revisou, quantos cards estão em dia ou quem abandonou a rotina. Você só descobre que o aluno parou de revisar quando ele já desanimou.
- A experiência não é sua. O aluno estuda dentro do aplicativo do Anki, não dentro do seu curso e da sua marca.
O que muda quando o deck vive dentro do seu curso
Numa plataforma em que o deck faz parte do curso, a mecânica de repetição espaçada continua a mesma que consagrou o Anki, mas a operação muda de figura:
- O progresso de cada aluno fica no servidor, card por card. No ClassDeck, cada aluno tem seu próprio estado SM-2 por card: fator de facilidade (começa em 2,5 e nunca cai abaixo de 1,3), intervalo e data da próxima revisão. A graduação segue o padrão clássico: 1 dia no primeiro acerto, 6 dias no segundo, depois intervalo multiplicado pelo fator de facilidade, com bônus de 1,3x no botão "Fácil".
- Atualizar o deck não apaga o progresso de ninguém. Corrigir um card ou acrescentar novos não exige reimportação pelos alunos; o estado de revisão de cada um permanece intacto.
- Fila diária organizada. Os cards vencidos do dia vêm primeiro, depois entram os novos (20 novos por dia por padrão, configurável por deck), o mesmo racional de fila do Anki.
- Você enxerga a rotina da turma. O professor acompanha quem está revisando e o progresso por aluno, o que permite agir antes de o aluno sumir.
- O deck acompanha a trilha do curso. Um deck vinculado a uma aula é liberado quando o aluno conclui aquela aula, o que evita o aluno afogado em 2.000 cards no primeiro dia.
- O aluno só precisa do navegador. A área do aluno funciona no computador e instala como aplicativo no celular, com a sua marca, sem Anki e sem AnkiWeb.
Passo a passo da migração no ClassDeck
- Exporte o
.apkgcom mídia seguindo a seção acima. - No painel do professor, abra o curso e vá em Flashcards, depois Importar deck do Anki.
- Confira a prévia antes de confirmar. O arquivo é processado no servidor e você vê os cards como o aluno verá: frente, verso, áudio tocável, imagens e cards de lacuna. É o momento de renomear o deck e revisar se está tudo no lugar.
- Vincule o deck a uma aula ou módulo (opcional). Deck vinculado entra na trilha e é liberado com a conclusão da aula; deck sem vínculo fica disponível desde o início.
- Publique. Os alunos matriculados passam a ver o deck na rotina de revisão imediatamente.
Checklist de curadoria antes de importar
- Revise cards com formatação quebrada ou referência de mídia faltando (a prévia da importação ajuda a flagrar).
- Se o seu deck tem sub-decks por nível ou por tema, avalie exportá-los separadamente e vinculá-los a aulas diferentes, reforçando a trilha do curso.
- Padronize as etiquetas: elas ajudam na organização e na busca dos cards.
- Defina o limite de cards novos por dia do deck pensando no aluno típico da turma, não no seu ritmo pessoal.